Joaquim Miranda Sarmento respeita mas discorda da decisão do BCE de subir taxas de juro
Joaquim Miranda Sarmento considera que a subida das taxas de juro anunciada pelo BCE "não era absolutamente necessária". O ministro das Finanças argumenta que esta é uma "crise diferente da de 2022".
O BCE decidiu aumentar as taxas de juro em 25 pontos base mas o Ministro das Finanças considera que poderia não o ter feito.
“Naturalmente, há uma preocupação do BCE – o BCE teve uma ação muito importante em 22 – que entendeu dar este primeiro sinal ao mercado? Veremos nos próximos meses. Eu mantenho a minha opinião de que podia não ter dado este sinal e ele não era absolutamente necessário. Mas respeito, naturalmente, o mandato e a independência do Banco Central Europeu”.
Mas Miranda Sarmento explica porque defende que não era necessária, já, esta subida.
“O BCE tem o seu mandato e a sua independência e nós respeitamos isso e ninguém respeita mais essa independência do que eu. Aquilo que eu expressei, continuo a expressar, é que esta é uma crise de natureza diferente da de 2022. Nós não vemos as tensões inflacionistas gerais, como vimos em 22, quando a guerra na Ucrânia começou, a inflação já em 6%
E porquê? Porque no verão de 2021 os constrangimentos da economia foram muito reduzidos e houve um aumento muito grande o consumo. Houve um choque do lado da procura, com a produção ainda muito abaixo daquilo que eram os níveis pré pandemia. Portanto, esse primeiro choque fez com que a inflação começasse a subir logo no verão de 21.
Nós não estamos a assistir a um choque de procura. E mesmo do lado da oferta estamos a assistir a um choque de oferta que para já é apenas sobre o petróleo e, consequentemente sobre a gasolina e o gasóleo. Não estamos a ver esse choque para já, no gás, nem noutros produtos”.
O ministro, que está no Luxemburgo para a reunião do Eurogrupo, garante que “este aumento do BCE não terá, para já, influência nas taxas de juro e que no que se refere às famílias ainda está longe do que se verificou da última vez que o Banco central europeu decidiu agir”
“O Banco Central Europeu, no âmbito do seu mandato e da sua independência, decidiu subir as taxas de juro em 25 pontos base.
Como já tinha tido a oportunidade de vos dizer em algumas ocasiões.
Esta é uma crise diferente da de 2022. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a inflação já estava nos 6%. A inflação está muito longe desses valores. A inflação core, ou seja, sem energia e sem bens alimentares, continua próxima dos 2%.
O Banco Central Europeu, em todo o caso, decidiu subir as taxas de juro. Mas estamos numa situação muito diferente de quer do ponto de vista de inflação, quer do ponto de vista de taxas de juro do Banco Central e depois aquelas que que interessam as pessoas, a Euribor. Mas obviamente, a decisão do Banco Central também tem impacto”.
Joaquim Miranda Sarmento diz que esta decisão do BCE não vai ter impacto imediato nas contas públicas de Portugal.
“A dívida pública tem continuado a transacionar a taxas de juro relativamente baixas, com spreads face à Alemanha muito baixos. Houve nos últimos meses um ligeiro agravamento das taxas de juro, como aconteceu em todos os países, mas menos do que na maioria dos países da zona euro. Na dívida pública o impacto ainda é relativamente pequeno e demora sempre muito tempo a subir a taxa de juro média.”
No que se refere às famílias, o ministro salienta que este aumento decidido hoje pelo Banco Central Europeu está “ainda muito longe daquilo que aconteceu em 2022”.
“A Euribor, dependendo das maturidades, mas está próxima de 2,5% e em 2022 chegou a ultrapassar os 4%. Portanto, veremos os próximos meses a muita incerteza sobre a situação no Médio Oriente e o conflito com avanços e recuos que naturalmente são maus para a economia”.
“Os juros subiram 25 pontos base. Agora não sabemos como vão evoluir nos próximos tempos”.
Há incerteza no horizonte e o BCE decidiu subir as taxas de juro, de novo, mas o ministro das finanças defende que ainda se está muito longe do que aconteceu em 2022 quando a guerra da Ucrânia começou a seguir à pandemia de COVID 19.